Como surgiu o nome de alguns blocos de carnaval


Como surgiu o nome de alguns blocos de carnaval


Na hora de colocar o bloco na rua, a escolha do nome é tarefa crucial. Expressões inusitadas se destacam e ajudam a ampliar o número de seguidores – além, é claro, de dar uma contribuição bem-humorada para o panteão cultural da folia e servir de inspiração (quem sabe?) para letras das músicas sobre a própria festa. Situações inesperadas, engraçadas e piadas viram mote para a brincadeira. “Momento complicado, história constrangedora, vale tudo. O interessante é quando tem algo por trás”, comenta o publicitário Leonardo Siabra, presidente do bloco Acorda para Tomar Gagau. O Viver fez uma pergunta básica aos fundadores das troças que desfilam em Olinda e no Recife: de onde vem tanta criatividade?


A Turma do Atolintí // Amigos de San Martin bebiam cerveja, em 2011, quando um deles começou a imitar um chinês e dizer que já ‘pegou’ fulaninha e beltraninha e que agora ia “atolar em tí”. A referência sexual pegou. O símbolo do bloco é um chinês com uma vara na mão.

Acorda para tomar gagau // A música Bebe negão, de Renato Fechine, fazia sucesso à época (2002). O refrão dizia “Eu vou beber pra esquecer meus problemas”. Surgiu a brincadeira: “Deixa de ressaca, e acorda para tomar gagau”. Durante o desfile, as pessoas se vestem de bebê e levam mamadeiras.



Barriga de Fora // Em reunião pós-reveillón, em 1996, no Engenho do Meio, um sujeito sem camisa chamou a atenção. Desconcertado, vestiu a primeira que viu, ficou com a barriga à mostra e virou motivo para criar a troça. Sai no sábado de Zé Pereira, no Recife Antigo, às 19h.

Bloco do Oití // Homenagem de moradores do Espinheiro ao bairro em 2003. A origem do nome se deve aos oitizeiros nas ruas. O símbolo do bloco é uma mão aberta segurando a fruta, sugestivo o suficiente para cair no gosto popular.

Bloco Ovos Fritos // Fundado por ex-alunos do Colégio Nóbrega. O nome surgiu do calor nas ladeiras de Olinda durante a folia. Mas os engraçadinhos fazem outra associação com o tempo quente. É no domingo, às 11h, em frente ao Mercado Eufrásio Barbosa. Há um ovo gigante para os filões temperarem.

Bloco Mulher Arreta Um // A “picuinha” de uma mulher foi o motivo que um grupo de cinco amigos do Arruda arrumou para fundar o bloco, em 2009. Ela era irritante (dizem eles) e foi escolhida para ser a “homenageada”.

Como surgiu o nome de alguns blocos de carnaval


Clubinho Anárquico Parasita Sai Dessa Nóia 
// Fundado em 2012, por um grupo de amigos que compartilhavam suas paranoias. A troça não tem camisa. Cada folião pode pintar a sua e estampar a sua “nóia”, um medo ou algo que te deixa desconfortável. O 5º desfile será no sábado (30), com concentração na Praça de Casa Forte, às 11h, e arrastão com orquestra de frevo. 

Cabeça de Touro // O nome da troça surgiu a partir de uma jogada de futebol malsucedida. “Não tem nada a ver com gaia de marido traído”, explica o diretor do bloco, Jânio Cézar. Durante uma “pelada” entre moradores do Engenho do Meio, o mecânico Everaldo perdeu um gol cara a cara com a barra. “Ele cabeceou por cima. Alguém o chamou de cabeça de touro. O apelido pegou e veio a ideia da troça em 1987”. O bloco cresceu, e hoje reúne milhares de foliões, no sábado pré-carnaval, a partir das 11h, na Praça do Bom Pastor. 

Cagão Misterioso // Da Avenida Fagundes Varela, em Jardim Atlântico, em Olinda, no carnaval de 2005. Fundadores limparam o espaço e deixaram tudo pronto. No dia seguinte, a surpresa: alguém tinha passado por lá e deixado um “presente”. Até hoje, não se sabe quem é o “homenageado’” do bloco.

Crêeea // A troça dos mentirosos. Ou melhor: de pessoas que contam “histórias inverídicas”. Surgiu em 2007 a partir de brincadeira entre amigos e atores da Turma do Fonfon. O bordão “creia que é verdade” era repetido a quem contava “causos duvidosos”. Desfila no bairro de Salgadinho.

Hoje a Mangueira entra // Quatro amigas criaram o bloco, há 22 anos, em homenagem à escola de samba carioca. Aproveitaram o trocadilho que atraiu curiosos. O bloco é no sábado, na Rua Coronel Joaquim Cavalcanti, no Amparo.

Já que tá dentro, deixa // Surgiu há 12 anos, em um carnaval violento de Olinda. Os integrantes queriam um bloco só para eles, pois já estavam “dentro da folia”. O nome, claro, carrega outro sentido… Os mascotes são uma cobra de dez metros e quatro pererecas. 

Mordida da Xota // O nome foi dado pelo pai de André Lages, de 29 anos, Paulo Lages, durante uma reunião com amigos do Colégio Santa Maria, em Boa Viagem. Há boatos que um dos fundadores teria sido mordido por uma cachorra que se chamava xota. “A ideia é ter o duplo sentido. A versão original é muito pornográfica para contar”, desconversa André. O símbolo da troça é um lábio feminino mordido. O bloco está no sexto ano e arma festa neste sábado (23), no Catamaran. Informações: 98570-4852. 

Mulé Arreta o Cara // Brincadeira entre amigos (homens, óbvio) sobre “dificuldades de relacionamento”. O bloco foi fundado em 2012 e, desde então, reúne casais, amigos e familiares, na Praça de Casa Forte. Eles promovem uma gincana Quem arreta mais?, e cada casal conta uma história. A melhor é premiada.

Os ricos de merda // O bloco desfila pelo sexto ano no bairro de Santa Tereza, em Olinda. Um grupo de amigos bebia e observava os foliões do bloco O Bagre. “A gente participava, mas não se identificava com o público. Pegava um isopor com cervejas e ficava do outro lado da rua. Uns amigos disseram a frase: ‘Ó praí, esses ricos de merda’ e surgiu a ideia de fazer nosso próprio bloco no ano seguinte”, explica o organizador do bloco Gabriel Borges, 37 anos.  

Tá faltando um // Fundado há sete anos, é homenagem a morador do bairro de Salgadinho, conhecido como Seu Nildo, já falecido. Ele organizava o futebol, as festas e as brincadeiras para a garotada. Sai no domingo, com concentração às 13h, na Rua Feira Nova, 650, Salgadinho. Informação: 87541160.

TCM Bicudo do Tabajara // Uma conversa entre amigos, já “calibrados”, no antigo Bar do Vasco, que batizaram os pinguços de “bicudos”. Através de João da Zebra, que dizia: ‘Dá cachaça para os bicudinhos’. A estreia foi no carnaval de 2002. O bloco desfila pelas ruas da Cidade Tabajara, em Olinda, tradicionalmente na segunda-feira de carnaval, a partir das 14h, na Rua Tupyara. 

Tô cumendo nada // Ex-alunos do Colégio São Luís brincavam sobre as dificuldades interagir com as meninas nos seus 17 e 18. “O bloco surgiu para brincar com a ‘falta de desenvoltura’ da gente na balada. Um banda de menino ‘guenzo'”, relembra o advogado Hugo Souto Maio, 32 anos, um dos organizadores da troça ao lado de Rafael Romagueira e André Ricardo Leão. A troça usa motes atuais para fazer piada. Ano passado, foi o cantor Pablo e “Os 13 anos de sofrência”. Na 14ª edição, o tema é “Espantando a Zikka”. O desfile será domingo (24), a partir das 15h, em frente ao Vaporetto, no Parque Santana.

Toco cru pegando fogo // Bloco familiar desfila pelo sétimo ano em Sítio Novo, no domingo após o carnaval. Fizeram primeiro o refrão. Depois, a música e o bloco. O enredo é sobre incêndio em um toco de madeira. Mas, cá para nós, o duplo sentido prevalece. “Chama o bombeiro, chama o Samu para acabar com esse buruçu. Toco cru pegando fogo, quem quiser pode chegar, joga água no toco que é pro fogo se apagar”, diz o hino.

Eu carrego até o boneco // De amigos do bairro de Rio Doce, em Olinda, em 2008. Um dos diretores disse: “Se a gente fizer um bloco, eu carrego até o boneco”. Pronto. Muitos erram: “Eu seguro o boneco”, “Eu levanto o boneco”, “Eu agarro o boneco”. Daí, o apelido carinhoso “O boneco”. Terça-feira, 11h, na Beira Mar de Olinda. Informações: 8626-3879.

Bloco Segurucu // Há 27 anos, amigos alugaram casa nas ladeiras para o Carnaval. Encontraram um dedo gigante feito de espuma. A brincadeira reinou. “Cuidado com esse dedo. Que dedo grande. Cuidado com o…”. O grupo saiu às ruas gritando “segurucu”, “segurucu” e atraiu foliões.

Os Narigudos // Há sete anos, em uma roda de “guaraná”, um amigo olhou para o outro e percebeu que todos tinham os narizes bem “delicados”. O ponto de encontro permaneceu na Praça do terminal de Ouro Preto, em Guadalupe. A saída do bloco está programada para a segunda-feira de carnaval, às 10h, em Olinda.



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